A sustentabilidade esteve no centro das discussões do primeiro dia da Mesa Redonda Regional da Iniciativa Financeira do Programa Ambiental das Nações Unidas (Unep Fi), realizada entre 1º e 3 de abril, em São Paulo. O evento, que reuniu representantes do setor segurador da América Latina e Caribe, contou com o apoio da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e trouxe debates sobre mitigação e adaptação climática, regulação e políticas sustentáveis, seguros responsáveis, riscos à biodiversidade e impactos sociais.
O diretor técnico de Estudos e Relações Regulatórias da CNseg, Alexandre Leal, destacou o crescente protagonismo da pauta sustentável no setor de seguros brasileiro, impulsionada tanto por ações voluntárias quanto por regulações. Ele citou o compromisso da CNseg com os Princípios para Sustentabilidade em Seguros (PSI) desde 2012 e mencionou marcos regulatórios recentes, como a Resolução CNSP 473/24, que estabelece diretrizes sustentáveis para produtos de seguro.
Leal também revelou que a CNseg está preparando o setor para uma atuação expressiva na COP30, que ocorrerá em Belém, com a criação da “Casa do Seguro”, um espaço de 1.600m² dedicado a debates sobre transição climática. Além disso, ressaltou a urgência da criação de um seguro social contra catástrofes, especialmente para vítimas de enchentes e deslizamentos. “Estamos em diálogo com diferentes setores para viabilizar um produto acessível, que envolva a participação de toda a sociedade”, afirmou.
Inovações no setor de seguros para enfrentar riscos climáticos
A busca por soluções concretas também foi evidenciada na apresentação do projeto “Construindo Seguros para Transição Climática”, conduzido pela CNseg em parceria com a Unep Fi. O gerente de Sustentabilidade da CNseg, Pedro Werneck, explicou que a iniciativa, desenvolvida ao longo de seis workshops, resultou em duas ferramentas inovadoras: o Mapa de Calor, que avalia qualitativamente riscos climáticos físicos, e o NatCat Model, que realiza projeções quantitativas desses riscos. . “Mesmo com limitações, como o foco exclusivo em inundações urbanas nos seguros residencial, condominial e empresarial, essas ferramentas trazem insights valiosos para a tomada de decisão das seguradoras”, destacou.
Werneck também abordou a importância da taxonomia sustentável brasileira, um sistema que define quais atividades econômicas são sustentáveis, incentivando investimentos alinhados com a preservação ambiental. Como exemplo, ele citou o setor de restauração florestal. “Temos 12 milhões de hectares a serem reflorestados e um grande gap de seguro para essa atividade. A taxonomia ajuda a direcionar investimentos e evidenciar a importância do seguro como um instrumento financeiro capaz de impulsionar setores sustentáveis”, pontuou.
O primeiro dia do evento reforçou o papel do setor de seguros na construção de um futuro mais sustentável. Com soluções inovadoras e estratégias alinhadas às novas exigências climáticas, o mercado segurador brasileiro se posiciona como um ator-chave na transição para uma economia mais resiliente e verde.
Fonte: CQCS