Considerar apenas o modelo tradicional na hora de garantir a atenção do consumidor não é mais suficiente, e esse entendimento foi compartilhado pelos palestrantes do painel “Participar e Humanizar”, promovido pelo Brasesul 2025, em Porto Alegre (RS). Com um formato dinâmico, o debate reuniu os principais players do mercado de seguros, apresentando aos corretores as melhores opções para garantir a continuidade dos negócios em um ambiente cada vez mais tecnológico.
Durante as enchentes no Sul, corretores e segurados acompanharam o trabalho realizado pela Porto Seguro, que, além de prorrogar por 10 dias todos os contratos de seguros dos clientes dos municípios atingidos, mobilizou equipes para as áreas afetadas, auxiliando no resgate das vítimas e no pagamento de indenizações. Para o vice-presidente Comercial e Marketing da Porto, Luiz Arruda, isso é um diferencial.
O executivo reforçou que, no atual cenário de concorrência, entender as necessidades do cliente e como a empresa se posiciona no mercado são fundamentais. “Quando a gente constrói uma estratégia, a primeira coisa é entender com quem estamos competindo”, afirmou Arruda. Para ele, o corretor deve estar preparado para competir não apenas com outros corretores, mas também com outros setores.
O diretor comercial da Bradesco Seguros, Leonardo Freitas, destacou que o mercado de seguros passa por uma transformação, especialmente no comportamento do consumidor, o que exige um olhar mais amplo do corretor. “Quando a gente fala em distribuição, não dá para considerar a distribuição tradicional, mas pensar como nos conectamos a vários ecossistemas”, afirmou. Ele compartilhou insights importantes, como o uso de ferramentas e tecnologia, a presença na mídia e redes sociais, o equilíbrio entre o lado humanístico e digital, a capacitação contínua e, principalmente, a empatia como elementos chave para o sucesso.
Sobre o uso de tecnologias no mercado de seguros, Igor Di Beo, vice-presidente de Vida e Ramos Elementares da HDI Seguros, já tem uma posição clara: “Se eu pudesse apostar todas as minhas fichas em ferramentas tecnológicas, seria na inteligência artificial”, contou. Na hiperpersonalização da oferta de seguros a partir da IA, o executivo acredita que “toda parte de ciência de dados vai ajudar os corretores a fazer uma oferta adequada para os clientes”.
Por outro lado, o diretor comercial nacional Varejo e Vida da Tokio Marine Seguradora, Marcos Kobayashi, adota uma postura mais pragmática. “Temos desafios o tempo todo, mas, sobretudo, penso que temos que focar na produtividade, em negócios e soluções, em vez de lamentar por diversos fatores”, pontuou. Na companhia, ele observa que muitos corretores possuem clientes com produtos em sua carteira que poderiam estar usufruindo de outras proteções, o que destaca a importância de oferecer soluções completas e integradas aos consumidores, focando em oportunidades de negócios dentro da base já existente.
Karine Brandão, diretora executiva do Canal Corretor da MAPFRE Brasil, destacou que “o conhecimento gera valor e o valor gera crescimento”. Ela acredita firmemente que os corretores que adotam essa mentalidade de aprendizado contínuo estão sempre um passo à frente e que o grande diferencial está na presença e na capacidade de gerar confiança e proximidade com o cliente, independentemente da tecnologia que esteja sendo utilizada. “O que sustenta toda essa relação é a presença, a confiança e a proximidade”, afirmou a executiva, ressaltando que a capacitação e a visão voltada para o cliente são fundamentais para se destacar no mercado competitivo.
Nesse mesmo contexto, André Vasco, diretor de Serviços às Associadas da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), comentou sobre o PDMS (Plano de Desenvolvimento do Mercado Segurador), destacando a importância de expandir a cobertura dos produtos de seguros e aprimorar o pagamento de indenizações. “Almejamos aumentar em 20% a parcela de pessoas atendidas pelos produtos de seguros”, compartilhou ele, revelando um dos objetivos do plano.
Vasco também relatou o empenho em priorizar o corretor no PDMS, com o apoio da Fenacor, enfatizando a importância de capacitar e fortalecer os profissionais da corretagem.
Fonte: CQCS