A regulamentação do novo marco do mercado de carbono pode aumentar o custo de capital das seguradoras brasileiras.

A nova lei prevê que as empresas devem aplicar 0,5% ao ano dos recursos de suas reservas técnicas e provisões em créditos de carbono ou fundos que invistam em crédito de carbono.

A regulamentação da lei será feita pela Susep neste ano.

Hoje, as provisões técnicas totais das seguradoras somam R$ 1,8 trilhão, sendo que a maior parte (cerca de R$ 1,52 trilhão) se refere a PGBL, VGBL e planos tradicionais de previdência

Há, contudo, embates em torno da interpretação da lei. A Lei Complementar 109, por exemplo, estabelece que não se pode impor limites mínimos de aplicação ou investimentos compulsórios a planos de previdência.

Para grupos seguradores, não seria razoável que a regulamentação incluísse recursos dessas reservas para a compra de ativos ambientais, como prevê a nova lei.

A resolução 223 da CVM, publicada em dezembro do ano passado, diz que créditos de carbono não são ativos financeiros, aumentando a dúvida sobre a operacionalização desta nova lei para o mercado de seguros.

Debate

Incertezas como essas serão debatidas em um seminário promovido pelo Instituto de Inovação em Seguro e Resseguros (IISR) e o Centro de Estudos de Infraestrutura e Soluções Ambientais (CEISA) da Fundação Getúlio Vargas.

O seminário ocorrerá em 6 de fevereiro, das 9hs às 18hs, no Salão Nobre da FGV EAESP.

Organizado pelos professores Gesner Oliveira e Eugênio Monteiro, os painéis contarão com a presença de Alessandro Octaviani, superintendente da Susep (agência que regula as seguradoras), Cristina Borja Reis, subsecretária de Desenvolvimento Econômico Sustentável do Ministério da Fazenda, o advogado Ernesto Tzirulnik, um dos maiores especialistas em seguro do país, além de representantes de companhias, como MAPFRE e Caixa.

Fonte:  Folha de São Paulo